segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fotopostagem



Aqui vai um pouco do que andei fotografando por aí:



Eu vi essa árvore ser derrubada por um caminhão tentando estacionar (motorista bom!). Veio a prefeitura, cortou o tronco, e eis que ressurge uma folhagenzinha persistente... O interessante é que eu estava a observá-la outro dia quando uma vizinha passou por mim. Nós nos encontramos no elevador e ela perguntou: "Era você parada ali do outro lado da rua?" Eu respondi que sim, acrescentando: "Não estranhe, eu costumo ter esse comportamento mesmo..." E ela: "Ah, eu li seu texto do palmito; pode deixar que depois dele, não acho mais nada estranho!" Minha fama já está correndo o mundo...



Lua brincando de esconde-esconde.



Achou!





Sr. Gato de Botas.



Cirrus.



Ande 5km com um cão e o resultado será esse.



Cãoponesa.



terça-feira, 23 de setembro de 2008

Participação especial



Mandei uma pequena conversa ouvida na Padaria Santa Teresa para o blog coletivo Conversas Furtadas. Aqui vai a minha participação:

Tempo Louco

http://www.insanus.org/conversas/

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A velha camisa xadrez



Você se lembra daquela camisa xadrez? Aquela que você me deu num longíquo dia dos namorados? Pois é, eu a encontrei no fundo do meu guarda-roupa, depois das blusas dobradas, embaixo do jeans que preciso consertar, ao lado daquele tubinho azul que minha mãe fez para mim e que eu usava na época em que nos víamos. Aliás, são as duas únicas peças que guardo de um passado tão distante.

Vez ou outra eu ainda a uso, apesar de já se somarem uns anos depois da última vez. Ela é de um conforto aconchegante que não sei explicar. De flanela macia, mangas longas, vermelha, bege e com detalhes azuis. Você me deu porque eu sempre aparecia vestindo uma camisa xadrez do meu pai, e você achou que já estava na hora de eu ter a minha. Era uma peça comum naquele tempo, principalmente para quem ouvia rock. A tal moda grunge, cujo gosto não comentarei, que se restringiu àqueles poucos anos e aos acordes de algumas incríveis bandas de Seatlle, dos Estados Unidos.

Eu a vestia invariavelmente com uma regata preta por baixo, jeans e botas. Era quase um uniforme. E a usava para ir a todos os lugares, inclusive, é claro, para vê-lo. Estava começando a me posicionar no mundo e a entender que ser diferente podia ser uma coisa boa, da qual eu poderia até me orgulhar, e não somente motivo de piada na escola. Assim eu ia criando minha identidade.

E você parecia gostar de quem eu era. Aquela garota meio avoada e responsável, que levava as coisas muito a sério, mas sempre sorrindo. Uma garota de livros, rock, amor e lágrimas. Você vivia me elogiando quando eu vestia a camisa xadrez em nossos curtos encontros, que se espremiam entre a escola e o trabalho. Intensos encontros! E foi essa mesma camisa xadrez que me levou ao caos emocional durante quase dois anos.

Para mim, fim era fim e acabou. Nada de idas e vindas. Nada de recaídas. E nós terminamos. Eu não o procurei mais. Até o dia em que cheguei da escola e soube que você havia me ligado. É claro que retornei, numa esperança louca. Você me pediu a camisa emprestada. Eu a levei para você e não vi nada nas entrelinhas daqueles minutos juntos. Esperei você me procurar para devolvê-la. E o dia que você me devolveu foi minha glória e minha ruína. Uma recaída, mais sua do que minha. Os dias que se seguiram foram longos e difíceis.

Mas passou. E a camisa assistiu a tudo - se é que isso é possível. Passou o grunge, passaram os 90, passaram as pessoas em nossas vidas. Passou a vontade de vesti-la o tempo todo, como marca da minha pequenina revolução pessoal. Aqui nós estamos.

A última vez que a usei foi no show do Pearl Jam, uma das últimas bandas grunge sobreviventes; um pequeno portal do tempo. Foi estranho, porque naquele dia de dezembro muita gente circulou pela cidade com camisas xadrez. E depois, ela retornou ao esconderijo no guarda-roupa.

Ontem, dez graus à noite. Eu procurava algo quente e aconchegante para vestir. Lá estava ela, no fundo do meu guarda-roupa, depois das blusas dobradas, embaixo do jeans que preciso consertar, ao lado daquele tubinho azul que minha mãe fez para mim e que eu usava na época em que nos víamos. Vou guardar o tubinho. Vou guardar a camisa. Não sou mais de guardar tranqueiras do passado. No entanto, quero chegar aos oitenta e ter algo com cheiro de mofo e naftalina que me lembre os dezessete e o início da minha transformação. E quando eu morrer, as gerações futuras, ao desfazerem meu guarda-roupa, encontrarão a camisa xadrez e exclamarão:

- Minha nossa! Ela se vestia de homem nas festas juninas!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Selo Prêmio Dardos II



Recebi mais duas indicações, do blog da Ellen e do Karapintada. Obrigada, meninas!

Quanto ao selo, muita gente me perguntou o que queria dizer. Jogando no Google, sua definição é:

"Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra a cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."

Lindo, não?

Tudo bem que na vida como ela é a gente sabe que não é bem isso. Longe de mim desvalorizar o selo - continuo feliz em recebê-lo, agradeço o carinho de quem me indicou e eu mesma indiquei como forma de presentear meus blogs favoritos. Mas deixo claro que não faço isso como forma de compactuar com esse sistema capitalista selvagem da blogsfera, para o qual a divulgação do próprio blog é mais importante do que os escritos em si, que deveriam ser a maior motivação para se compor um blog!

(Depois disso, podem votar em mim.)


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Selo Prêmio Dardos


Recebi o selo do Prêmio Dardos do Erich, blog 30 e Poucos Anos. Fiquei muuuuito feliz, é o meu primeiro selo e é uma honra recebê-lo de um blog bacana e com conteúdo como o do Erich!




Este selo possui algumas regras:


1. Aceitar exibir a imagem do selo no seu blog e cumprir as regras.


2. “Linkar” o blog do qual recebeu o prêmio.


3. Escolher 15 blogs para entregar o prêmio.


Pois é, 15 blogs! Vamos lá, então:


30 e Poucos Anos


Blog da Dona Ju


Clarice Lispector


WC Darkness


Diário do Victor


Das idéias de Caio Rudá


Os Desmandamentos


Ellen Regina


Euforia Melancólica


Ilumine o espaço e o tempo e venha amar comigo...


Is this real?


Karapintada


Mukypho


Musicaholic


Saia na Noite


terça-feira, 9 de setembro de 2008

Excentricidades de um município



Eu nasci em São Paulo, bem pertinho da Avenida Paulista. Cresci aqui nessa cidade de fatos e pessoas estranhas. Muita gente já escreveu sobre São Paulo, mas eu gostaria de registrar algumas impressões sobre esse local singular, onde é possível se ver de tudo um pouco - e ainda um pouco mais.

Há coisas por aqui que não entendo. Por exemplo, quando passamos pela lateral da Catedral da Sé. Eu já havia visto gárgulas exóticas, como as do Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro, que são em forma de cachorro magro uivante. Mas as da Sé são em forma de sapos. Isso mesmo: sapos, e ninguém sabe explicar o porquê de sapos estarem numa parede lateral externa da igreja. Assim como outro fato curioso sobre igrejas: os signos do zodíaco no Mosteiro de São Bento. Quem entra no mosteiro vê, no teto, os doze signos do zodíaco pintados. E pelo o que sei em minha vã ignorância, a igreja não aprova a astrologia...

Outra coisa incrível que vemos por aqui são os nomes de ruas. Há nomes singelos, curiosos e absurdos. Temos a Rua do Bucolismo, próxima à Rua Alegria – e entre elas uma unidade do que se chamava FEBEM e hoje chama-se Fundação CASA. Há várias homenagens à música: Rua da Música Aquática, da Música da Bruma, Travessa Música de Boa Noite, Travessa Música do Dilema, Rua Música Leve, Música Misteriosa e Música Outonal. Para quem não acredita, é só consultar o guia (porque ir in loco não recomendo; quanto mais estranho e fofo o nome, mais longe a rua). As danças também são homenageadas: tem a Rua Dança Brasileira, a da Dança Cigana, Dança Crioula, Travessa Dança da Canoa, Dança das Borboletas, das Luzes, das Horas, do Cavaquinho, de São Gonçalo, do Fogo, do Manjericão, do Pajé, dos Sabres, dos Sete Véus; Rua Dança Inacabada (o parceiro fugiu?), Danças Caipiras, Danças Húngaras e Rua Dança de Anitra (quem?). Ufa! E não pára por aí. Já estive na rua-trocadilho Armando Pinto. Na Rua Céu Vazio (hein?). Na Praça Chá da Alegria (imagine se esse chá não é nenhuma substância ilícita...). Rua Chamatu (eu não!). Rua Cismas do Destino. Rua Brinco de Príncipe. As Travessas Coração Entristecido e Coração Selvagem. Rua Sol da Meia Noite. E a mais absurda: Rua Lembranças do Futuro! Será que foi Arnold Schwarzenegger quem a batizou?

Isso sem contar nomes de bairros como Jardim Shangrilá, Filhos da Terra (batatas?), Vila Nhocuné, Jardim Fada, Jardim dos Bichinhos, Jardim do Tiro (esse é bom)... Agora imagine o cidadão que mora num lugar com esses nomes na hora em que precisa dizer o endereço... Sempre deve ouvir piadinhas infames...

As placas de comércio também eram um capítulo à parte por aqui. Com a nova lei da prefeitura, ganhamos uma cidade mais limpa e perdemos um pouco de diversão. Não me esqueço de uma da academia do bairro onde eu morava: “Temos Curso de Medo D´água”. Era tudo o que eu precisava! Que graça tem nadar sem medo? O interessante é o frio na barriga na hora de pular na piscina! Natação com emoção!

Essa cidade tem muita coisa que surpreende qualquer um, nas quais podemos prestar atenção quando não estamos preocupados com o horário ou com o sujeito suspeito que nos segue. Coisas “estranhas” como grilos nas noites do Brás ou maritacas no centro do Centro, bem na Praça da Sé. Coisas que, às vezes, nos distraem de tantas tristezas e misérias que nem sempre podemos mudar, vistas todos os dias pelas ruas de São Paulo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Supermercado



Janis is a punk rocker...

Eu sei que invento umas de vez em quando. Até porque sou daquelas que muda de idéia o tempo todo, invento coisas pra fazer no meio do caminho, não gosto de seguir um roteiro pré-estabelecido. Foi assim no dia em que fomos passear, eu e a Janis. Fomos ao Pet Center comprar ração; uma boa caminhada, 50 minutos para ir, mais 50 para voltar. Ela gosta muito. Eu também.

Na volta, mudança de planos. Lembrei que o dia seguinte era de faxina, e a moça que limpa minha casa estaria lá. Às vezes eu deixo almoço pronto para ela (entenda-se macarrão com salsicha), mas muitas vezes prefiro comprar algo (acho que ela também). Nesse dia eu sabia que não tinha nada em casa, e precisava comprar alguma coisa. Não daria tempo de deixar a Janis em casa e pegar o mercado ainda aberto. Como não gastaria mais de cinco minutos entre pegar uma lasanha e pagar, tive a brilhante idéia de deixá-la presa na entrada do mercado enquanto fazia isso.

Não foi a primeira vez da Janis me esperando; vez ou outra acontece de eu sair com ela e precisar comprar qualquer coisa, ela me espera e tudo bem. Só que dessa vez, deu tudo errado.

A Janis, quando me viu na fila do caixa rápido, surtou. Começou a chorar. A ganir. A latir. Tudo para chamar a minha atenção. Sou contra maus-tratos a qualquer ser. Não gosto de ver animais sofrerem. Mas sugerem as técnicas de adestramento que devemos ignorar o mau comportamento canino, seja qual for, pois atender aos pedidos insistentes do cão por atenção só reforça o que não queremos que ele faça. E eu não a abandonei nem nada; estava ali, diante dela, a uns três metros de distância, mas ignorando-a. Naquela fila que não andava. E com pessoas que não estavam inteiradas sobre as técnicas de adestramento.

Comecei a suar e a ficar vermelha. Fingia que o cachorro não era meu, porque detesto escândalo, seja de quem for. Torcia pra ser atendida logo, e como rezam os mandamentos de Murphy, aquela fila era a mais lenta – de rápido, só o nome do caixa. E a Janis fazendo aquele estardalhaço.

Uma pessoa na minha frente. Logo chegaria a minha vez. E só saberiam que a Janis era minha quando eu já estivesse atravessando a rua. Isso era o que eu achava. Porque a própria Janis se encarregou de me contrariar. Soltou-se – não sei como – da guia. Saiu correndo, não em minha direção – mas mercado adentro, para que eu pagasse o mico de largar a compra no caixa e saísse correndo atrás dela. E claro que assim todo mundo ficou sabendo quem era a dona má do pobre cãozinho triste.

Alcancei-a. Paguei a compra com ela no colo abanando o rabinho, aquela expressão canina de felicidade. E eu sem saber onde me enfiar, desejando um saco de papel pra colocar na cabeça.

Dizem que o cão é bom em ser o melhor amigo do homem. Mas é melhor ainda quando quer ser o pior inimigo...



É o que sobra depois da balada punk.